POEMAS DO NICODEMOS

Aqui você encontra um pouco do meu pensamento e sentimento. São garrafas lançadas ao mar virtual, na espectativa do encontro com outros sobreviventes... Palavras que buscam evidenciar, veladamente, o È.

10.10.15

Das sementes lançadas
algumas caíram no asfalto...
algumas floriram nos esgotos...
mas nada se perde, nada se perdeu
alguns dos nossos foram cultivar versos
no tempo das nuvens...
Nós, seguimos,
com meio sorriso no canto da boca
buscando justificar nossos dias
com alguma poesia que nos resta...
ciganos...
sigamos!
a cantar e tocar, rotos,
outros versos ignotos...

4.6.15

Capa do Livro Pirataria Poética. de Jony Rosa, José Walderi e João Nicodemos.   Hoje, uma raridade!

3.12.14

Abidoral Jamacaru

Que grande Alegria para nós todos que conhecemos e reconhecemos o valor humano e artístico de Abidoral Jamacaru. Sua obra é única, autêntica, irretocável e atemporal. Diria, em paráfrase a Mário Quintana, “os tolos, todos, que atravancaram seu caminho, passarão...Abidoral, passarinho!” E pássaro de voo seguro e certo de seu destino. Canta, e canto também, com ele, “Voo mais alto que o Homem que Sou! “Soul”... é isso: uma questão de alma! Almas que não se vendem, por dinheiro algum, nem sucesso fácil! Nosso Abidoral é assim... Sua história reflete uma cultura de resistência e, docemente resiste à estiagem de almas elevadas. A solidão do Condor que galga as mais inusitadas alturas, é voa só! Mas não lhe falta quem observe e admire a elegância com que cuida do seu jardim...do seu jasmim laranjeira... Acompanho sua obra desde que o vi pela primeira vez (e me lembro disso como quem ouviu o “Sargent Peppers” no ano de seu lançamento), com a mesma admiração, espanto e respeito. Tenho a imensa alegria de ser seu parceiro em alguns trabalhos e isso me honra. Abidoral Jamacaru não é um “produto” que se coloque nas vitrines do sucesso para ser substituído por similares... Não há similares de grandes criadores. Abidoral é um “processo”, um artista novo a cada canção, a cada acorde que inventa e reinventa. Em sua maturidade, já sabe que não há lugar para ele na prateleira do grande sucesso... que não há grandeza em vender sua rima, mesmo a troco de ouro. Eles todos, eles tolos, passarão... você, Abidoral, não!
(abraço do amigo João Nicodemos)

25.7.13


Lapidar é preciso.
pegar um tronco de madeira bruta,
escavaquear
tirar uma rabeca,
afinar o instrumento e tocar
até...     
um dia  ser violino.

18.2.13

A quem?




                                              RESPOSTAS AQUÉM

O poeta pergunta ao Universo:
Que vida? Há sorte? E a morte?
O Silêncio responde a seu modo
Solene, sincero, sem engodo...

O poeta, que sabe as palavras
E sabe forjá-las, atá-las, transpô-las
pescá-las no seco silêncio
sente-se órfão da Verdade

senta-se só no deserto da praça
e grita: “para quem? Para onde?”
e só, o silêncio responde...

                                                                                                   


19.12.12

CARTÃO DE NATAL.













Esta é a foto da Lua alinhada com Vênus que cliquei da janela um dia
desses...          Virou meu Cartão de NATAL!! 

20.5.12

Nasceu lá no quintal, de uma semente que um passarinho plantou... 

23.4.12


Amizade não respira burocracia
Amizade não escolhe nem hora nem dia
Amizade é leal, é legal e faz bem
Faz o bem sem dizer a quem fez
Fez e faz tudo que pode, tudo que é capaz
Amizade é amiga, não alimenta intriga
Amizade é de graça, é semeada na praça
Amizade é surda para a crítica barata
Amizade nos ampara diante da fera
Amizade não tem medo de ser sincera
e avisa do perigo que rodeia seu amigo
Amizade é pão, amizade é trigo
Amizade é cimento que garante a construção
Amizade é fermento que faz bem ao coração
Amizade é a primeira forma de amor
Amizade é o barro do santo no andor
Amizade é o copo d'água na hora da sede
Amizade é o retrato no branco da parede
Amizade não tem preço e faz a prece
pra o amigo receber sempre tudo que merece
Amizade é o unguento que alivia
Amizade fortalece com o tempo
Amizade compartilha sua sorte
Amizade multiplica pães e peixes
e não se acaba com a morte

13.3.12


Esta boa rabequinha
espanta minha tristeza
me alegra, traz beleza
pro labor da vida minha
cada nota que ela canta
uma dor no peito espanta
uma saudade advinha.

15.12.11

Olvidei os advinhos
a eles não dou ouvidos.
Mundo novo há de vir
Há os que crêem no porvir
E na Lei dos merecidos...


Eu, porém, vivo sem pressa
O labor do dia certo
Vejo o fim, no que começa
Sinto que um dia desperto

Vejo o pó que cobre a estrada,
O vento que nela passa,
Apaga minha passada.

Uma fruta sob o sol,
Amadurece o meu dia.

Uma vela empurra o Mar...

Quem conjuga o verbo Amar?


(se soubesse, lhe diria).

25.11.11


RÍTMO

PERCUSSIONISTA
QUE SE ATRASA

TAMBÉM CORRE...


(não adianta)

17.11.11

1.11.11

Olhei bem fundo
no olho
da cebola

e chorei

30.10.11


Meus poemas são como
cadernos de campo
de um pesquisador antropólogo

onde

sou o caderno,
o antropólogo
e o aborígene

20.10.11

Sentimento Poético.


O mundo é como é ... mas como é o mundo?

O mundo é como Raimundo de Drummond...

vasto vasto mundo...

Que fazer? ”Nossas réguas são curtas...

nossos relógios são lentos...”

“Olhar o mundo com os olhos de borboleta”

Olhar o mundo com olhos de poeta

(Mais vasto será o mundo)

O poeta vê o mundo, a cada piscada, um novo mundo...

O poeta vê o mundo no futuro do futuro

(tempo verbal que só o poeta conjuga)

O poeta vê o mundo no tempo presente

Sempre presente...

e pressente o presente eterno (no futuro)

O poeta vê o mundo por uma janela

Que só ele conhece...

não vê pela vala comum da televisão...

A visão do poeta está no centro de uma esfera

E vê todos os pontos de sua superfície

E entre tais pontos, milhões de realidades possíveis

E não vê apenas uma superfície

Superposições de superfícies compõem

a esfera do poeta...

(que alguns chamam de mundo)

PS: bom lembrar (É permitido dar comida aos poetas).

13.7.11

Meu último poema
será feito de silêncio.
Profundo e contrito
silêncio...
Sem palavra de adeus
nem aos seus
nem aos meus...
Dobrarei a esquina do tempo
sem saudade, sem dor
sem vontade de ficar.
certo que fiz o que pude
e o que não pude, tentei!

Desertos e mares, são desertos.
Hoje, desperto um pouco mais.
Fecho os olhos.Vejo melhor.
Longe longe passa um navio.
Espero chegar a tempo...

10.7.11


CÂNTICO DOS QUÂNTICOS

todas as possibilidades
são possíveis

6.7.11


Saudade é uma

ausência presente

que pressente o

futuro encontro...

2.6.11

Um abraço

No calor de um abraço
A saudade se desfaz
Solidão afrouxa o laço
O coração encontra a paz.

O valor do abraço amigo
Sabe bem quem o recebe
Mas quem dá também percebe
Que o abraço é um abrigo:

Cessa a dor de quem padece
de tão bom, rejuvenesce
Cala o pranto de quem chora

Ganha um abraço quem dá
Melhor presente não há
por isso lhe abraço agora!

25.5.11


Peço que não percas,
nas horas de perdas,
os caminhos do coração.
lá estamos nós, em comunhão,
compondo canções que azulam o céu,
que anelam os laços do Amor que re-une.
silencie, não cante, nem conte
o tempo que foi.
Tempo virá em que o tempo será só lembrança
e faremos de nuvem e sonho
novos brinquedos de criança...

10.5.11

em todo lugar há o tédio
de tudo já feito, tudo finito
e há também o desejo de ver
mais uma cor no prisma do sol,
uma nota mais na vibração
dos silêncios,
um inseto desconhecido
num planeta não descoberto...
Assim, escrevo o verso não dito
do poema não sentido...
a buscar no finito
o
infinito.

17.4.11


sintonia

saí de casa
quando voltei
a casa não estava...

nem eu.

13.4.11

12.4.11

a palavra em teu verso
tem caligrafia própria:
ligação inevitável
entre a Timo e o cerebelo

belo!! belo!! belo!!

8.4.11



não olvide
Ovídio
veneno pequeno
é antiofídico

6.4.11


o poeta
escreve poemas
"de ouvido"...

quem duvida?

4.4.11

canção do moinho


a pedra de mó
que o moinho movia
moeu a saudade
no meu coração

o vento ventando
a ventana vazia
virou ventania
a minha canção

agora nem porto
nem sonho ou quimera
nem mera esperança
nem vinho nem pão

a pedra de mó
que movia o moinho
puída no tempo
não moe mais não
arquitetura necessária

a janela, pode ser a porta.
o coração, a horta semeada...
a florescer
flor e ser
flores ser

sonhar cores passadas
juntar pétalas de esperança
e brincar com as nuvens feito criança
...

30.3.11

Se eu fosse
um beija-flor
te beijaflorava
todinha

17.3.11


um silêncio triste invadiu a noite
em lugar muito distante
foram dormir os sonhos
tantos passos, tantos anos...

pobres bichos urbanos,
sonolentos de insônia
fabricamos versos de espantalho
enquanto a noite se adensa

3.3.11

24.1.11

Forma & Forma

Abobrinha, macaxeira, açafrão,

Cebolinha, manjerona e jerimum,

Berinjela com alface e almeirão,

Alcachofra com farofa e guaiamum


Escarola, mandioca e pimentão

Batatinha, rabanete com ervilha

Beterraba, acelga, manjericão

Couveflor cambuquira com lentilha


Na forma de pão faço tijolo (^)

Na forma de tijolo faço pão (^)

Se na forma sem beleza, sem consolo (´)


Faço tudo que quiser minha intenção

Pois na forma e na forma cabe tudo (^), (´)

Mas nem sempre sentimento e emoção.

7.1.11


se toda regra
tem excessão
algumas não.

4.1.11


umas fotos
dão água na boca

outras,
nos olhos...

13.11.10


ao Poeta Henrique Pimenta.

o Tempo
é o barômetro
do poema.

6.11.10


sob o a
pelo da
pele a fe
lina res
vala no es
curo da
mata


sem
pressa o
Tempo es
preita...

5.11.10

quem anda
descalço

enxergue
com os pés

3.11.10



tudo é Um
cada verso
cada pedra
cada dente...


mas
como
dói.

1.11.10

Que me importa aceitar
dialeticamente que uma pedra
e uma beterraba
são iguais

meus dentes
não aceitam

27.10.10


com velas acesas
ao som do dia
iluminando rabiscos
de estrelas cadentes...

seguir semeando
corações e mentes...

etnólogo

estuda a origem,
o sentido profundo
das palavras...


e fala
sozinho...

24.10.10


ela e eu
eu e ela
sonhando a semente da Arte
semeando sonhos de Beleza e Verdade...
Pintando e recriando a vida,
repisando passos passados
que o tempo desbotou...
Restaurando, reconstruindo
os castelos, os cabelos, os critérios...
Seguir, sempre seguindo e semeando
perguntas e destinos...
destemidos, ciganos,
sigamos!
avante!

24.9.10

29.8.10

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moto contínuo

com a prática
a perfeição vem

por inércia

26.8.10

passeamos no jardim de Drumonnd
e nele pastamos, caramujos poetas
sedentos de orvalho...

nos cantares de Quintana
acalanto meus ouvidos
cultivando silêncios

nos recantos a que me levam
teus versos, Brandão

pastoreio nuvens e sombras,
cores e sabores de infância.

22.8.10

18.8.10


Pé quebrado

quando posso passo lá

ela voa pra cá
se de lá canto meu canto
ela se encanta de cá

eu a viola e ela
a viola ela e eu

quando penso que a encontrei
vejo que ela se escondeu
o mote e o motivo
sempre a vida sempre o mesmo
então sigo ponteando
criando pontes a esmo

eu a viola e ela
ela a viola e eu.

15.8.10

Setilha

o meu verso, minha lira

meu prazer, meu compromisso
é fogo que não expira
eu porém, não vivo disso
mas lhe digo bem agora
a verdade que aflora
também não vivo sem isso.

8.7.10


Concluí a criação da minha nova rabequinha
feita de cedro, imburana, pau-d'arco, imbuia e uma madeira amarela que
é chamada no Ceará de amarelão.