POEMAS DO NICODEMOS

Aqui você encontra um pouco do meu pensamento e sentimento. São garrafas lançadas ao mar virtual, na espectativa do encontro com outros sobreviventes... Palavras que buscam evidenciar, veladamente, o È.

19.9.09

Martelo

Falo da dor com presença e propriedade
Da dor que dói, da que espeta e da que arde
Falo da dor que alimenta esta saudade
Falo da dor que te abandona e que me invade

Dor de espinho cravando fundo a carne
Dor de osso ainda vivo e triturado
Dor de quando, ainda moço e já bem tarde
Vi mistérios de esfinge desvendados


Dor de pedras que atingem passarinhos
Dor de aborto quando o morto era esperado
Dor do dia que o filhote deixa o ninho
Dor de peixe que nadando é afogado.

Dor de morte escondida no segredo
Do sangue que pulsa contaminado
Dor do encontro do martelo com o dedo
Dor de membro putrefeito e amputado

Dor que infere sobre a singularidade
Do vivente que, por estar vivo, dói
Dor que rompe que corrempe que corroe
Dor que grita, dor que dói na eternidade

Falo da dor com presença e propriedade
Dor que dói dor que espeta dor que arde
Da dor que grita dor que dói na eternidade
De dor eu falo com presença e propriedade.

4 comentários:

  1. A dor dói...

    Bom trabalho - e que ela nos esqueça, a dor.

    A dor.
    A dor.
    A dor.

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  2. Nico,
    Pra matar a saudade, vou colar este poema lá no CaririCult.
    Com amizade,
    Luiz

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  3. Salatiel, grande amigo!
    Sucesso em seus projetos!!

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  4. Bardo,
    a dor dói
    mas não mata...
    precisa do

    ente
    para ser...

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