POEMAS DO NICODEMOS

Aqui você encontra um pouco do meu pensamento e sentimento. São garrafas lançadas ao mar virtual, na espectativa do encontro com outros sobreviventes... Palavras que buscam evidenciar, veladamente, o È.

25.11.11


RÍTMO

PERCUSSIONISTA
QUE SE ATRASA

TAMBÉM CORRE...


(não adianta)

17.11.11

Dolores...

sinto muito!!

1.11.11

Olhei bem fundo
no olho
da cebola

e chorei

30.10.11


Meus poemas são como
cadernos de campo
de um pesquisador antropólogo

onde

sou o caderno,
o antropólogo
e o aborígene

20.10.11

Sentimento Poético.


O mundo é como é ... mas como é o mundo?

O mundo é como Raimundo de Drummond...

vasto vasto mundo...

Que fazer? ”Nossas réguas são curtas...

nossos relógios são lentos...”

“Olhar o mundo com os olhos de borboleta”

Olhar o mundo com olhos de poeta

(Mais vasto será o mundo)

O poeta vê o mundo, a cada piscada, um novo mundo...

O poeta vê o mundo no futuro do futuro

(tempo verbal que só o poeta conjuga)

O poeta vê o mundo no tempo presente

Sempre presente...

e pressente o presente eterno (no futuro)

O poeta vê o mundo por uma janela

Que só ele conhece...

não vê pela vala comum da televisão...

A visão do poeta está no centro de uma esfera

E vê todos os pontos de sua superfície

E entre tais pontos, milhões de realidades possíveis

E não vê apenas uma superfície

Superposições de superfícies compõem

a esfera do poeta...

(que alguns chamam de mundo)

PS: bom lembrar (É permitido dar comida aos poetas).

13.7.11

Meu último poema
será feito de silêncio.
Profundo e contrito
silêncio...
Sem palavra de adeus
nem aos seus
nem aos meus...
Dobrarei a esquina do tempo
sem saudade, sem dor
sem vontade de ficar.
certo que fiz o que pude
e o que não pude, tentei!

Desertos e mares, são desertos.
Hoje, desperto um pouco mais.
Fecho os olhos.Vejo melhor.
Longe longe passa um navio.
Espero chegar a tempo...

10.7.11


CÂNTICO DOS QUÂNTICOS

todas as possibilidades
são possíveis

6.7.11


Saudade é uma

ausência presente

que pressente o

futuro encontro...

2.6.11

Um abraço

No calor de um abraço
A saudade se desfaz
Solidão afrouxa o laço
O coração encontra a paz.

O valor do abraço amigo
Sabe bem quem o recebe
Mas quem dá também percebe
Que o abraço é um abrigo:

Cessa a dor de quem padece
de tão bom, rejuvenesce
Cala o pranto de quem chora

Ganha um abraço quem dá
Melhor presente não há
por isso lhe abraço agora!

25.5.11


Peço que não percas,
nas horas de perdas,
os caminhos do coração.
lá estamos nós, em comunhão,
compondo canções que azulam o céu,
que anelam os laços do Amor que re-une.
silencie, não cante, nem conte
o tempo que foi.
Tempo virá em que o tempo será só lembrança
e faremos de nuvem e sonho
novos brinquedos de criança...

10.5.11

em todo lugar há o tédio
de tudo já feito, tudo finito
e há também o desejo de ver
mais uma cor no prisma do sol,
uma nota mais na vibração
dos silêncios,
um inseto desconhecido
num planeta não descoberto...
Assim, escrevo o verso não dito
do poema não sentido...
a buscar no finito
o
infinito.

17.4.11


sintonia

saí de casa
quando voltei
a casa não estava...

nem eu.

13.4.11

para saber
desaprendi

12.4.11

a palavra em teu verso
tem caligrafia própria:
ligação inevitável
entre a Timo e o cerebelo

belo!! belo!! belo!!

8.4.11



não olvide
Ovídio
veneno pequeno
é antiofídico

6.4.11


o poeta
escreve poemas
"de ouvido"...

quem duvida?

4.4.11

canção do moinho

canção do moinho


a pedra de mó
que o moinho movia
moeu a saudade
no meu coração

o vento ventando
a ventana vazia
virou ventania
a minha canção

agora nem porto
nem sonho ou quimera
nem mera esperança
nem vinho nem pão

a pedra de mó
que movia o moinho
puída no tempo
não mói mais não.

arquitetura necessária

arquitetura necessária

a janela, pode ser a porta.
o coração, a horta semeada...
a florescer
flor e ser
flores ser

sonhar cores passadas
juntar pétalas de esperança
e brincar com as nuvens 
feito criança...

30.3.11

Se eu fosse
um beija-flor
te beijaflorava
todinha

17.3.11


um silêncio triste invadiu a noite
em lugar muito distante
foram dormir os sonhos
tantos passos, tantos anos...

pobres bichos urbanos,
sonolentos de insônia
fabricamos versos de espantalho
enquanto a noite se adensa

3.3.11


quase amar
amalgamar

24.1.11

Forma & Forma

Abobrinha, macaxeira, açafrão,

Cebolinha, manjerona e jerimum,

Berinjela com alface e almeirão,

Alcachofra com farofa e guaiamum


Escarola, mandioca e pimentão

Batatinha, rabanete com ervilha

Beterraba, acelga, manjericão

Couveflor cambuquira com lentilha


Na forma de pão faço tijolo (^)

Na forma de tijolo faço pão (^)

Se na forma sem beleza, sem consolo (´)


Faço tudo que quiser minha intenção

Pois na forma e na forma cabe tudo (^), (´)

Mas nem sempre sentimento e emoção.

7.1.11


se toda regra
tem excessão
algumas não.

4.1.11


umas fotos
dão água na boca

outras,
nos olhos...

13.11.10


ao Poeta Henrique Pimenta.

o Tempo
é o barômetro
do poema.

6.11.10


sob o apelo da
pele a felina 
resvala no 
escuro da
mata


sem
pressa o
Tempo espreita...

5.11.10

quem anda
descalço

enxergue
com os pés

3.11.10



tudo é Um
cada verso
cada pedra
cada dente...


mas
como
dói.

1.11.10

Que me importa aceitar
dialeticamente que uma pedra
e uma beterraba
são iguais

meus dentes
não aceitam

27.10.10


com velas acesas
ao som do dia
iluminando rabiscos
de estrelas cadentes...

seguir semeando
corações e mentes...
etmólogo estuda a origem, 
o sentido profundo das palavras... 




 e fala sozinho...

24.10.10


ela e eu
eu e ela
sonhando a semente da Arte
semeando sonhos de Beleza e Verdade...
Pintando e recriando a vida,
repisando passos passados
que o tempo desbotou...
Restaurando, reconstruindo
os castelos, os cabelos, os critérios...
Seguir, sempre seguindo e semeando
perguntas e destinos...
destemidos, ciganos,
sigamos!
avante!

24.9.10

ENÍGMA 
SÍNTESE 
SEM TESE.

29.8.10

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moto contínuo

com a prática
a perfeição vem

por inércia

26.8.10

passeamos no jardim de Drumonnd
e nele pastamos, caramujos poetas
sedentos de orvalho...

nos cantares de Quintana
acalanto meus ouvidos
cultivando silêncios

nos recantos a que me levam
teus versos, Brandão

pastoreio nuvens e sombras,
cores e sabores de infância.

22.8.10

semi breve

o tempo voa

18.8.10


Pé quebrado

quando posso passo lá

ela voa pra cá
se de lá canto meu canto
ela se encanta de cá

eu a viola e ela
a viola ela e eu

quando penso que a encontrei
vejo que ela se escondeu
o mote e o motivo
sempre a vida sempre o mesmo
então sigo ponteando
criando pontes a esmo

eu a viola e ela
ela a viola e eu.

15.8.10

Setilha

o meu verso, minha lira

meu prazer, meu compromisso
é fogo que não expira
eu porém, não vivo disso
mas lhe digo bem agora
a verdade que aflora
também não vivo sem isso.

26.7.10

8.7.10


Concluí a criação da minha nova rabequinha
feita de cedro, imburana, pau-d'arco, imbuia e uma madeira amarela que
é chamada no Ceará de amarelão.

29.6.10

(foto: Peça teatral "PELEJA DE ZÉ DE MATOS COM O BICHO BABAU NAS RUAS DO CRATO" de José Flávio Vieira.2006. Música de Cena: Abdoral Jamacaru e João Nicodemos. A peça foi premiada em várias mostras pelo Ceará, inclusive como melhor música de cena.





Com a minha rabequinha
eu nunca me sinto só
sinto pena, tenho dó
da tristeza que eu tinha...

21.6.10

o poeta olha o mundo
vê as pessoas
vê as coisas

não move um dedo
nem pisca um olho

mas
quem vê dentro
sabe...

3.6.10


Minha sede
cede aos encantos
da palavra

lavro rimas...
cerzir sinas
me compete

sê-de complacentes:
nem todo ouro brilha.



(ao Poeta Brandão)

Genial.

Endogenia
gera
Eu gênias?

5.5.10

"sopra que passa"

que tudo passa
e nada fica
e, se tudo passa,
nada passa também
e não fica ninguém
...

7.4.10


não fui um menino prodígio
vivia trepado na mangueira
tocando gaita num pente

desce daí menino, você cai!!!

não caí...

fui um menino sabiá
vivia cantando...

não fui um menino
prodígio
mas acho que
estou me transformando num
velhinho prodígio.

28.2.10



me lembro um dia
meu pai jogava futebol comigo
eu tinha 6 anos
o campo era gigantesco
as traves muito altas
eu queria ser goleiro

nunca mais
joguei tão bem.

25.2.10

Canção de meninar.

Mãe mimava a menina

Que dormia e sonhava

Com a mãe em seu colo

Que a menina ninava

Mãe me nina

Mãe menina

Mãe menina quer ninar

Mãe menina

Mãe me nina

Mãe me ensina

A serenar

Nina mãe

Mima a menina

Que suspira seu sonhar

Minha mãe

Minha menina

Minha noite de luar...

11.2.10


sou um homem
de letras


letras e palavra.

5.2.10

o relógio da casa 
da minha tia 
batia batia... 

minha infância 
era tranquila 
segundo me lembro 
não havia ponteiro 
de segundos